sexta-feira, 27 de março de 2015

“Um dia todos saberão o meu nome", teria dito copiloto à ex-noiva

Andrea Lubitz se suicidou matando outras 149 pessoas a bordo do Airbus.
Ex-noiva diz que ele sempre dizia que um dia todos iam saber do nome dele.

Mariana Becker Seyne-les-Alpes, França
Andreas Lubitz, o jovem copiloto alemão que se suicidou matando outras 149 pessoas a bordo do Airbus da Germanwings, escondia problemas psicológicos, disse na sexta-feira (27) a promotoria alemã.
Na casa, Andreas Lubitz foram encontrados atestados médicos rasgados. Eles recomendavam o afastamento do trabalho, inclusive no dia da tragédia. A Germanwings garante que nunca recebeu um pedido de licença.
O Hospital Universitário de Düsseldorf confirmou que Andreas era paciente e entregou o prontuário dele à polícia. O tabloide alemão "Bild" informa que o copiloto teria terminado o noivado de sete anos.
Na França, o desafio dos investigadores passa pelo grande número de destroços e também pelas condições climáticas. Eles tentam encontrar o chip com as informaçoes da segunda caixa-preta do Airbus, aquela que registra os dados técnicos do voo.
Durante todo o dia, eles trouxeram das montanhas pedaços do avião e restos mortais das vítimas. Os moradores da pequena Seyne-les-Alpes estão abalados e se desdobram no apoio aos visitantes inesperados.
Um espanhol, que perdeu a ex-mulher, uma filha e uma neta na tragédia, se comove com a recepção dos franceses. Ele diz que todos são muito atenciosos, que ninguém o deixa pagar nada e que isso lhe dá a certeza de que é possivel pensar positivo. "As pessoas são muito boas", diz ele.
NOVA REVELAÇÃO
A ex-noiva de Andreas Lubitz afirmou que o copiloto sempre ameaçava: "Um dia todos saberão o meu nome". Ela disse que não entendia o que ele queria dizer, mas que agora fez sentido.
A declaração foi feita ao jornal alemão "Bild". A aeromoça identificada apenas como Maria W., de 26 anos, não quis mostrar o rosto nem dar o nome completo.
Ela falou sobre o relacionamento pessoal dos dois e disse que viajaram juntos de avião por cinco meses pela Europa no ano passado. Maria disse ainda que terminou com Andreas por causa dos problemas pessoais e do comportamento instável dele.


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quarta-feira, 25 de março de 2015

Queda de avião nos Alpes franceses deixa 150 mortos

25/03/2015 00:50:

AFP

Cento e cinquenta pessoas morreram nesta terça-feira na queda de um Airbus A320 da companhia de baixo custo Germanwings, pertencente à alemã Lufthansa, nos Alpes franceses, na pior tragédia aérea do país nos últimos 30 anos.

Uma das caixas-pretas da aeronave já foi encontrada e enviada para análise.

O A320 da Germanwings voava entre Barcelona e Düsseldorf, com 144 passageiros e seis tripulantes. O aparelho caiu entre Digne e Barcelonnette, em um vale escarpado do maciço de La Blanche, cerca de 1.500 metros acima do nível do mar.

"Até o momento, não há sinais de que alguém tenha sobrevivido ao acidente", declarou em Seyne-les-Alpes o general David Galtier, da Gendarmeria regional. "Os corpos estão destroçados e nenhum pedaço é maior que uma pequena mala".

A maioria dos passageiros era alemã e espanhola, mas também havia três mexicanos, dois colombianos, dois argentinos, dois australianos, um belga e um dinamarquês, segundo funcionários dos respectivos países.

Tóquio informou que na lista de passageiros constavam os nomes de dois japoneses residentes em Dusseldorf, e Londres revelou a possível presença de cidadãos britânicos no voo.

A imprensa do Marrocos noticiou que um casal do país está entre as vítimas.

Segundo a Germanwings, 67 alemães viajavam no aparelho, entre eles dois bebês e 16 adolescentes que retornavam de um intercâmbio escolar com estudantes espanhóis.

Entre as vítimas há dois cantores de ópera: o baixo barítono Oleg Bryjak, de 54 anos, e a contralto Maria Radner, 33, que regressavam a Düsseldorf após cantar a ópera de Richard Wagner "Siegfried" no Gran Teatre del Liceu de Barcelona.

A Espanha decretou três dias de luto oficial.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o chefe de Governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciaram que viajarão na quarta-feira ao local do acidente. Lá, ambos se reúnem com Hollande.

"É dilacerante, porque, aparentemente, significa a perda de muitas crianças", reagiu o presidente americano, Barack Obama, que enviou seus pêsames aos governos alemão e espanhol.

"Nossos pensamentos e orações estão com nossos amigos na Europa, especialmente com os povos de Alemanha e Espanha, após este terrível acidente", declarou Obama.

Um grupo de 30 gendarmes e um pelotão de montanha deve chegar na manhã desta quarta-feira aos destroços do aparelho, em uma zona escarpada e de difícil acesso do maciço de La Blanche, cerca de 1.500 metros acima do nível do mar.

"O grupo de 65 gendarmes partiu durante a noite para chegar ao local por terra e vai pernoitar lá", informou o tenente-coronel Jean-Marc Ménichini. Outros cinco policiais já estão no local para resguardar os destroços do avião.

No total, a operação envolve 300 bombeiros e outros 300 gendarmes, dez helicópteros e um avião militar.

"Uma das dificuldades que temos é o acesso ao local do desastre, particularmente hostil, (que estará) em breve sob neve e chuva", indicou o general Galtier. "É um lugar muito inacessível que só pode ser alcançado de helicóptero, ou a pé".

Segundo um investigador, entre os milhares de fragmentos do avião "é possível identificar apenas o trem de pouso", o que indica que o aparelho bateu diretamente contra a montanha.

"Neste estágio, nenhuma hipótese pode ser descartada para explicar o acidente", declarou na Assembleia Nacional o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, de origem catalã, que suspendeu por 24 horas sua participação na campanha para as eleições de domingo.

Uma investigação judicial já foi aberta pelo Escritório de Investigação e Análise francês (BEA).

"Não sabemos os motivos desse acidente (...) Estamos fazendo todo o possível para viajar para o local dos fatos, entender o que aconteceu e poder acolher as famílias das vítimas nas melhores condições", garantiu o premiê francês.

Em entrevista coletiva no aeroporto de Barcelona, a vice-presidente para a Europa do grupo Lufthansa, Heike Birlenbach, disse se "tratar de um acidente, e qualquer outra coisa seria especulação".

O grupo Airbus também declarou "não ter nenhuma informação" até agora sobre as circunstâncias do acidente.

As investigações devem avançar rapidamente, já que "uma caixa-preta da aeronave foi encontrada e será encaminhada para os serviços competentes", anunciou o ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve.

Sem contato com a tripulação da aeronave e nenhum sinal de radar, a Direção de Aviação Civil francesa (DGAC) declarou o voo em perigo às 9h30 GMT (6h30 no horário de Brasília), perto da pequena cidade de Barcelonnette.

A tripulação do avião não chegou a emitir um sinal de emergência, segundo a DGCA.

A queda do avião durou cerca de oito minutos, relatou a Germanwings, acrescentando que "o piloto tinha mais de dez anos de experiência e 6.000 horas de voos".

Uma testemunha que esquiava perto do local do acidente contou a uma emissora de televisão francesa que ouviu "um grande barulho".

Com capacidade para transportar de 150 a 180 pessoas, o A320 acidentado foi entregue à Lufthansa "em 1991" e passou por uma ampla revisão "no verão de 2013", assegurou Thomas Winkelmann, um dos diretores da empresa em Colônia, no oeste da Alemanha.

A Germanwings comunicou na noite desta terça-feira a anulação de certos voos porque alguns tripulantes decidiram não embarcar após o incidente.

Este desastre é o primeiro na França desde a queda de um Concorde da Air France, que causou 113 mortes (100 passageiros, nove membros da tripulação e quatro mortos no chão), em 25 de julho de 2000, pouco depois de decolar do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle.

Também é o mais grave no país em mais de 30 anos, após a queda de um DC-9 da empresa Inex Adria em uma montanha da Córsega, que deixou 180 mortos.

O pior desastre aéreo na França aconteceu em 3 de março de 1974, quando um DC-10 da Turkish Airlines caiu ao norte de Paris, causando 346 vítimas fatais.

terça-feira, 24 de março de 2015

Avião com 148 pessoas cai na França

Airbus A320 ia de Barcelona para Duesseldorf.
Aeronave levava 142 passageiros, dois pilotos e quatro tripulantes.

Do G1, em São Paulo
Imagem postada noperfil do Twitter do site Flightradar mostra a última localização do Airbus A320, nesta terça-feira (24) (Foto: Reprodução/Twitter Flightradar24)Imagem postada noperfil do Twitter do site Flightradar mostra a última localização do Airbus A320, nesta terça-feira (24) (Foto: Reprodução/Twitter Flightradar24)
Um avião Airbus da companhia Germanwings, empresa da Lufthansa, caiu no sul da França nesta terça-feira (24). A aeronave ia de Barcelona, na Espanha, para Duesseldorf, na Alemanha, segundo autoridades aéreas. O voo 4U9525 viajava com 142 passageiros, dois pilotos e quatro tripulantes.
O QUE SE SABE ATÉ AGORA:
- Um avião Airbus A320, da companhia Germanwings, caiu na manhã desta terça-feira (24), no sul da França;
- A aeronave levava 142 passageiros, 2 pilotos e 4 tripulantes;
- O voo 4U9525 fazia a rota Barcelona, na Espanha, a Düsseldorf, na Alemanha;
- A aeronave desapareceu dos radares por volta das 11h locais (7h de Brasília) nos Alpes franceses;
- Destroços foram localizados em uma região de 2 mil metros de altitude;
- Um pedido de socorro foi feito às 10h47, quando a aeronave estava a 5 mil pés em uma "situação anormal", segundo o secretário de transportes francês.
O ministro do interior francês disse que destroços foram localizados em uma região de 2 mil metros de altitude, segundo a agência Associated Press. O jornal francês "Le Monde" informa que 80 bombeiros e 200 policiais estão a caminho do local.
O presidente francês, François Hollande, disse que pelas características do acidente provavelmente não há sobreviventes. “Havia 148 pessoas a bordo e as condições do acidente, que ainda precisam ser determinadas com precisão, sugerem que não haveria sobreviventes”, disse o presidente. Em seu perfil do Twitter, Hollande expressou "solidariedade às famílias das vítimas" e disse que a queda do avião é uma "tragédia".
O Secretário de Estado dos Transportes francês, Alain Vidal, disse que “não há sobreviventes”, segundo o jornal “Le Monde”. “Houve um pedido de socorro registrado às 10h47. Esse sinal de socorro mostrou que a aeronave estava a 5 mil pés, em uma situação anormal”, disse Vidal, que completou que o acidente ocorreu pouco após este sinal.
Airbus A 320, da companhia alemã Germanwings, no aeroporto de Berlim, na Alemanha, em março de 2014 (Foto: Jan Seba/Reuters/Arquivo)Airbus A 320, da companhia alemã Germanwings, no aeroporto de Berlim, na Alemanha, em março de 2014 (Foto: Jan Seba/Reuters/Arquivo)
A Germawings disse em seu perfil do Twitter que soube pela imprensa dos relatos de que um avião da companhia havia se envolvido em um acidente, mas disse não ter informações definitivas sobre o ocorrido.
Carsten Spohr, presidente da Lufthansa, postou uma mensagem em seu perfil do Twitter, dizendo: "Não sabemos ainda o que aconteceu com o voo 4U9525. Meus profundos sentimentos para os familiares e amigos de nossos passageiros e tripulantes. Se nossos medos forem confirmados, será um dia obscuro para a Lufthansa. Esperamos encontrar sobreviventes."
Segundo o jornal francês "Le Monde", a aeronave desapareceu dos radares por volta das 11h locais (7h de Brasília).
Segundo o site que monitora o sistema aéreo Flightradar, o avião decolou 9h de Barcelona, horário local (5h de Brasília).
De acordo com o site da Airbus, a capacidade máxima da aeronave é de 180 passageiros. A empresa disse em sua página no Facebook que está ciente dos relatos da queda de um avião fabricado pela companhia e informou que todos os seus esforços foram direcionados para avaliar a situação. Segundo o jornal francês “Le Figaro”, o Airbus A320 que caiu estava em uso há 24 anos.
O maior sindicato de controladores aéreos da França, o SNCTA, anunciou a suspensão de sua convocação de greve para os dias 25, 26 e 27 de março. “Nessas circunstâncias dramáticas e considerando a emoção que esse acidente levanta, especialmente entre os controladores aéreos, o sindicato decidiu suspender o seu aviso de greve”, informou em seu site.
Arte - Avião com 148 pessoas cai no Sul da França (Foto: Arte/G1)

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Acidente aéreo em Taiwan deixa pelo menos 12 mortos e 16 feridos

04/02/15 às 08:38 Agência Brasil

Pelo menos 12 pessoas morreram hoje (4), 16 ficaram feridas e 29 continuavam desaparecidas devido à queda do avião da TransAsia Airways, no Rio Keelung, em Taiwan. O avião, em que estavam 58 pessoas – incluindo cinco membros da tripulação –, caiu no Rio Keelung, nos arredores de Taipé, capital de Taiwan, depois de atingir uma ponte.

A aeronave, uma ATR-72, partiu do Aeroporto de Songshan com destino às Ilhas Kinmen, e caiu dez minutos após a decolagem.

A Administração Aeronáutica Civil de Taiwan disse que o piloto do avião alertou para a ocorrência de uma emergência momentos antes da queda da aeronave. O órgão informou que, com base numa gravação das comunicações da cabine de comando e da torre de controle, o piloto disse “mayday” (socorro) três vezes, pouco depois da decolagem.

No início da tarde, 29 das 58 pessoas a bordo tinham sido encontradas, incluindo 12 mortos, 16 feridos e uma que não apresentava sinais vitais quando deu entrada no hospital.

As autoridades estimam que as restantes 29 pessoas que seguiam no voo GE235 estejam presas na fuselagem do avião, que ficou submersa.

"O foco do nosso trabalho é tentar usar guindastes para levantar a parte da frente dos destroços, que está submersa e onde se estima que esteja a maioria dos passageiros", disse Lin Kuan-cheng, do Serviço Nacional de Bombeiros de Taiwan aos jornalistas no local.

Entre os passageiros estavam duas crianças e 31 turistas de Xiamen, da província de Fujian, no Sul da China.

O Exército informou que 165 soldados foram destacados para o local da queda do avião e estavam ajudando nas operações de resgate com oito barcos e veículos militares.

O avião, um bimotor turbo hélice de fabricação franco-italiano, foi construído em abril do ano passado e passou na última revisão efetuada no dia 26 de janeiro, confirmou um representante da Administração Aeronáutica Civil de Taiwan.

Este foi o segundo incidente grave envolvendo um avião da TransAsia Airways em poucos meses, depois de outro avião da companhia aérea ter caído durante uma tempestade em julho, quando operava um voo doméstico, causando a morte de 48 pessoas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Avião da AirAsia despenhou-se no mar em três minutos com copiloto aos comandos

por LusaHoje
O líder do Comité Nacional para a Segurança dos Transportes indonésio em conferência de imprensa
O líder do Comité Nacional para a Segurança dos Transportes indonésio
em conferência de imprensa Fotografia © EPA


Relatório preliminar indica que o copiloto francês Rémi Plésel estava aos comandos do aparelho quando este caiu no mar de Java, com 162 pessoas a bordo.
O copiloto francês Rémi Plésel estava aos comandos do avião da AirAsia que demorou três minutos a despenhar-se no mar de Java, no mês passado, com 162 pessoas a bordo, revelaram hoje investigadores, sem facultar a causa do acidente.
O Airbus A320-200 da companhia aérea de baixo custo malaia desapareceu dos radares cerca de meia hora depois de descolar da cidade indonésia de Surabaia com destino a Singapura, após um pedido para ganhar altitude devido a condições meteorológicas adversas.
Segundo elementos recolhidos durante a investigação, o aparelho fez um aumento abrupto de altitude antes de se despenhar no mar.
Com base nos dados das caixas negras -- o registo de parâmetros de voo e o das conversas no cockpit --, os investigadores apresentaram um relatório preliminar à Organização Internacional da Aviação Civil, obrigatório 30 dias após a data do acidente.
Hoje, o Comité Nacional de Segurança dos Transportes da Indonésia revelou que o copiloto francês Rémi Plesel estava aos comandos do Airbus, em substituição do comandante de bordo indonésio Iriyanto, um ex-piloto da Força Aérea experiente, que "supervisionava o voo", declarou o responsável pela investigação do comité, Mardjono Siswosuwarno.
Ertata Lananggalih, um outro investigador, confirmou que o piloto tinha procedido a uma ascensão brusca. No espaço de 30 segundos, o avião passou de uma altura de 32.000 pés (9.700 metros) para 37.400 pés (11.400 metros), antes de iniciar a rota de queda em direção ao mar de Java que demorou três minutos.
Os investigadores também indicaram ter sido detetada a presença de cúmulos-nimbos na zona, com as nuvens de tempestade a atingiram uma altura de até 44.000 pés, aquando do acidente, apesar de recusarem afirmar que o avião voo na sua direção.
Mardjono Siswosuwarno disse também que a aeronave estava em boas condições.
O documento da investigação preliminar não foi tornado público. Mas, segundo os investigadores, o relatório final, a concluir dentro de sete a oito meses, será divulgado.
Até ao momento, foram resgatados 72 corpos de um total de 162 pessoas que seguiam a bordo do avião da AirAsia. As operações prosseguem para tentar reencontrar os restantes, mas o exército indonésio deu por findos, esta terça-feira, as tarefas de recuperação dos destroços, depois de terem fracassado os esforços para resgatar a fuselagem do fundo do mar.
Artigo Parcial

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Pilotos de Campos fizeram trajeto de descida diferente do previsto, diz FAB

Para Aeronáutica, ainda não é possível indicar causa da queda de avião.
Agência de Aviação Civil diz que pilotos tinham licença e habilitação válidas.

Renan Ramalho Do G1, em Brasília
A coleta dos dados sobre o acidente aéreo que matou o ex-candidato à Presidência da República Eduardo Campos em agosto do ano passado mostrou que os pilotos realizaram um trajeto diferente do oficialmente previsto para realizar o pouso, informaram durante apresentação realizada nesta segunda-feira (26), em Brasília, oficiais do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
AS AFIRMAÇÕES DO CENIPA SOBRE O ACIDENTE
Os pilotos fizeram um trajeto diferente do previsto na carta de recomendação
Ainda não é possível dizer que houve falha humana.
Até o momento, não foi identificada falha técnica da aeronave
Estão descartadas colisões com aves, veículos não tripulados (Vants) ou outros objetos no ar.
Não houve incêndio na aeronave antes da queda
O avião não caiu de cabeça para baixo.
A velocidade do avião no momento do pouso era superior à recomendada.
O avião estava com uma inclinação de 38 graus negativos no momento da queda
O trem de pouso estava recolhido na primeira tentativa de pouso antes da queda
O áudio encontrado nas investigações não é o do dia do acidente..
Fonte: Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa)
Tanto na descida inicial para a pista da Base Aérea de Santos, quanto na arremetida (quando o avião sobe de volta no momento em que não consegue aterrissar na primeira vez), os radares captaram um percurso diferente do recomendado no mapa. Durante esse trajeto, a tripulação também não informou precisamente os locais por onde passava nos momentos em que isso é exigido.
Segundo o tenente-coronel Raul de Souza, o piloto fez trajeto "diferente" do previsto na carta. "A gente não pode concluir que ele tenha feito um atalho. Ele fez um procedimento diferente do que estava previsto", afirmou (veja na imagem acima).
A comparação entre o trajeto recomendado e o efetivamente realizado pela aeronave mostra que os pilotos “encurtaram” o pouso. Em vez de fazer um caminho dando uma volta no formato de um 8, eles tomaram uma rota manobrando à direita para descer o jato.
“O comum é seguir [a rota]. Está previsto em regulamento”, declarou  o chefe da Cenipa, Dilton José Schuck.
Os responsáveis pela análise, porém, disseram que ainda não é possível concluir se esse fator contribuiu para o acidente nem se houve erro dos pilotos.
Essa avaliação ainda será feita pelos técnicos da Cenipa, que não têm como atribuição apontar causas do acidente, mas fazer recomendações para evitar novas ocorrências e situações de risco.
No último dia 16, o jornal "O Estado de S. Paulo" afirmou que o acidente teria sido motivado por uma sequência de erros do piloto. "A gente não pode afirmar que houve falha humana ainda", afirmou o tenente-coronel Raul de Souza.
Imagem mostra o trajeto feito pelo piloto antes da queda (linha vermelha) e a trajetória recomendada (linha preta) (Foto: Reprodução/Cenipa)Imagem mostra o trajeto feito pelo piloto antes da queda (linha vermelha) e a trajetória recomendada (linha preta) (Foto: Reprodução/Cenipa)
"Ainda estamos entrando nessa fase de análise para chegarmos às conclusões. Nós ainda vamos interpretar esses dados para a gente chegar ao momento em que a gente diga: 'sim, isso contribuiu" ou 'não, isso não contribuiu'", afirmou o chefe do Cenipa, brigadeiro-do-ar Dilton José Shuck.
Habilitação
De acordo com os documentos da tripulação, tanto o piloto, Marcos Martins, quanto o copiloto, Geraldo Magela Barbosa, tinham habilitação para voar em modelos anteriores (Cessna C560 Encore ou C560 Encore+), e não no modelo utilizado (um Cessna C560XLS+), mais moderno.

Paineis do modelo para o qual os pilotos tinham habilitação (esq.) e do modelo que conduziam (dir.)  (Foto: Reprodução / Cenipa)Paineis do modelo para o qual os pilotos tinham habilitação (esq.) e do modelo que conduziam (dir.) (Foto: Reprodução / Cenipa)
Para chegar à habilitação do modelo utilizado, o piloto deveria passar por um novo treinamento e o copiloto, por um curso completo sobre a nova aeronave. A distinção entre as habilitações para as diferentes aeronaves, no entanto, foi definida pela Anac pouco mais de um mês antes do acidente, no dia 3 de julho.
Questionado se isso desqualificava os pilotos para operar o avião, o major Carlos Henrique Baldin disse que não.
“Para nós do Cenipa, o mais importante é saber se estavam em condições de treinamento e qualificação compatíveis com aquele equipamento e com as condições de meteorologia. A questão de estar habilitado formalmente ou não não é tão importante assim, é questão mais administrativa. Tem que perguntar à Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] para saber, por que [a norma sobre habilitações] estava em transição. Habilitação é questão administrativa que a Anac tem que ver”, respondeu.
Anac
Em nota divulgada à imprensa após a apresentação da Cenipa, a Anac informou que piloto e copiloto tinham habitação válida para “operar todas as aeronaves desta família para as quais eles estivessem treinados”, o que inclui os três modelos do Cessna.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, somente no momento da renovação da habilitação, eles teriam que comprovar ter realizado um treinamento adicional para poderem continuar voando no modelo XLS+.
“O piloto e o copiloto estavam aptos e em situação regular para voar”, informou ao G1 a assessoria da Anac. Os registros do órgão mostram que, antes do acidente, o piloto Marcos Martins já havia realizado mais de 90 voos no modelo que caiu. A Anac ainda esclareceu que a norma que detalhou os tipos de habilitação para os modelos do Cessna foi feita para tornar o processo “ainda mais específico e completo”.
Condições técnicas
Durante a apresentação, o coordenador da investigação, tenente-coronel Raul de Souza, disse que as condições do avião e do clima eram suficientes para realizar um pouso seguro.

“Os motores funcionavam perfeitamente na hora do impacto e com potência”, afirmou. Além disso, não houve colisão com Vants (veículos aéreos não tripulados) nem com pássaros.
“Até agora a coleta de dados não identificou nenhuma falha técnica da aeronave. Com relação a falha humana, a gente não pode afirmar que houve falha humana ainda. Isso é a próxima fase da análise”, declarou o major Carlos Henrique Baldin, que também participa da investigação.
Familiares e partido
Após a exposição dos oficiais da Aeronáutica, o advogado da família de Eduardo Campos, José Henrique Wanderley Filho, divulgou nota na qual afirma que os parentes somente se pronunciarão após a conclusão das investigações.

O irmão do ex-governador, Antonio Campos, também divulgou nota com teor semelhante:    "Após a divulgação oficial das conclusões dos inquéritos civil e criminal, que ainda não ocorreu, e, após acesso completo ao relatório e das investigações do Cenipa, divulgadas hoje, irei me pronunciar sobre as causas do acidente que vitimou meu irmão Eduardo Campos".
O PSB, partido de Campos, afirmou em nota que também aguarda o fim da investigação. "A Direção Nacional do PSB informa ainda que não fará qualquer pronunciamento sobre notícias que tenham sido ou venham a ser veiculadas trazendo supostas conclusões ou mesmo análises parciais dos fatos, aguardando a divulgação dos laudos oficiais pelas instituições encarregadas das apurações."
Frase coordenador investigação do acidente de Eduardo Campos (Foto: Arte/G1)Frase coordenador investigação do acidente de Eduardo Campos (Foto: Arte/G1)
Nota da Anac
Leia abaixo íntegra da nota da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre as investigações do acidente que matou Eduardo Campos.

Informações sobre investigação do PR-AFA        

                Brasília, 26 de janeiro de 2015 – A respeito das informações preliminares apresentadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a investigação do acidente com a aeronave de matrícula PR-AFA na tarde desta segunda-feira (26/01), a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) informa que continua acompanhando o andamento dos trabalhos realizados pelo órgão, inclusive como membro do grupo de investigação do acidente, e se coloca à disposição para auxiliar nas atividades em curso.

                Pilotos
                Sobre o piloto em comando e o copiloto, a ANAC informa que os profissionais estavam com licença e habilitação C560 válidas no momento do acidente, o que permitiria operar todas as aeronaves desta família para as quais eles estivessem treinados. O regulamento da ANAC prevê o treinamento de diferença específico para que seja permitido transitar entre os diferentes modelos de aeronaves, tais como a transição entre os modelos XLS e XLS+.

                Segundo os registros de voo verificados pela ANAC por meio do Sistema Decolagem Certa, o comandante Marcos Martins havia realizado mais de 90 voos no modelo da aeronave C560XLS+.
                 Instrução Suplementar
                A Instrução Suplementar IS 61-004, publicada pela ANAC em 03 em julho de 2014, definiu novos procedimentos sobre o tipo de registro a ser demonstrado pelo piloto em relação à habilitação necessária para operar cada modelo de aeronave, tornando o processo de habilitação de pilotos ainda mais específico e completo.

                Segundo a  IS, é necessário o registro de treinamento específico, junto à ANAC, para operação de cada modelo de avião. Essa adequação deve ser feita, para os casos de habilitações já emitidas, no momento de renovação da habilitação.                
                  Recomendação do Cenipa
                A ANAC também esclarece que aguarda o recebimento dos estudos técnicos que embasaram a recomendação emitida pelo Cenipa em 28/11/2014 e informa que segue zelando pelo fiel e correto cumprimento da Instrução Suplementar (IS) 61-004 que trata do registro a ser demonstrado pelo piloto em relação às habilitações necessárias para operação em cada modelo de avião, emitida em data anterior ao recebimento da recomendação.

Assessoria de Comunicação da ANAC
Gerência Técnica de Relações com a Imprensa

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Voo da AirAsia atingiu velocidade excessiva antes de cair





O avião da AirAsia que caiu no Mar de Java no dia 28 de dezembro, deixando 162 vítimas, voou em velocidade excessiva antes de parar, informaram autoridades da Indonésia nesta terça-feira, dia 20.   
O ministro dos Transportes Ignasius Jonan disse que o voo QZ8501, "de repente, ultrapassou a velocidade limite permitida e parou".   
Um relatório preliminar sobre as causas do acidente será divulgado no próximo dia 28, um mês após avião sumir dos radares. 

  
Histórico   
O AirAsia partiu de Surubaia, na Indonésia, com destino  a Cingapura. A aeronave sumiu dos radares 40 minutos após a decolagem, sendo que minutos antes, o piloto havia pedido uma alteração de rota por culpa do mau tempo. Ao todo, 162 pessoas estavam a bordo.
Tags: aeromave, autoridades, Indonésia, MAR, queda


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