domingo, 3 de fevereiro de 2013

• Oviedo: o líder militar paraguaio que viveu entre o poder, a prisão e o exílio


03 de Fevereiro de 2013 19h46 
    1. Preso em uma penitenciária militar, condenado por tentativas de golpe, entre outras acusações, Lino Oviedo, que morreu neste domingo na queda de seu helicóptero, foi um caudilho que irrompeu no cenário político paraguaio em 1996, sete anos depois de derrubar o ditador Alfredo Stroessner (1954/89).
O ex-chefe do Exército, de 69 anos, de origem camponesa, foi o homem que obrigou pessoalmente o ex-ditador a se render, no dia 3 de fevereiro de 1989 -há exatamente 24 anos- e a provocar a queda de seu governo de 35 anos de poder absoluto.
O respeito que obteve após esse fato o marcou como um homem temível e impulsionou uma trajetória meteórica de coronel a chefe do Exército, até chegar a candidato a presidente pelo partido Colorado -hoje na oposição- nas eleições de 1998.
Carismático e de permanente protagonismo na política paraguaia, costumava discursar em guarani, língua falada pela maioria pobre do Paraguai.
Nos arredores de Assunção, mandou construir em um parque um espaço conhecido como "Linódromo" onde reunia seus seguidores.
Ele liderava as pesquisas de opinião com vistas ao pleito de 1998, mas dois meses antes da votação, seu adversário político, o então presidente Juan Carlos Wasmosy (1993/98) o acusou de tentativa de golpe em 1996 e uma corte marcial o condenou a dez anos de prisão.
Com Oviedo preso e sob o lema "Cubas no governo, Oviedo no poder", Raúl Cubas, seu afilhado político, venceu as eleições de 1998, com 54% dos votos.
Cubas assumiu o poder em agosto de 1998 e libertou seu mentor político ao assumir o poder, mas Oviedo foi enviado novamente para a prisão no dia 24 de março de 1999, um dia depois da morte do vice-presidente Luis María Argaña em um atentado.
Em 28 de março de 1999, Cubas entregou o poder acusado, junto com Oviedo, das mortes de Argaña e de 7 manifestantes contrários ao governo. Oviedo foi autorizado a sair da prisão e fugiu para a Argentina.
Em 9 de dezembro de 1999, dias antes da posse do presidente argentino Fernando de la Rúa, que tinha prometido expulsá-lo da Argentina durante sua campanha, Oviedo fugiu deste país e reapareceu em junho de 2000 em Foz do Iguaçu, no Brasil, onde foi capturado pela polícia brasileira.
O Supremo Tribunal brasileiro recusou o pedido de Assunção de extraditar Oviedo ao Paraguai e o libertou 18 meses depois, após qualificar seu caso como de "perseguição política disfarçada".
Em 29 de junho de 2004, retornou voluntariamente ao Paraguai e foi detido no aeroporto internacional de Assunção. Em 6 de setembro de 2007 foi libertado da prisão depois que uma corte militar confirmou o parecer do tribunal brasileiro de que Oviedo tinha sido vítima de perseguição política.
A Suprema Corte do Paraguai restituiu todos os seus direitos políticos e o habilitou a se lançar candidato presidencial nas eleições de 2008, onde ocupou o terceiro lugar, com 22º dos votos, em seis meses de campanha.
Oviedo dizia que se apresentaria pela última vez a uma eleição popular no pleito de 21 de abril e que depois deixaria a política nas mãos de seus filhos, Ariel e Fabíola, ambos deputados por seu partido.
Sua primeira aparição pública como candidato nestas eleições ocorreu em Luque, a 15 km de Assunção, em 12 de janeiro passado, onde reuniu umas 100 mil pessoas segundo os organizadores, 50 mil, segundo a imprensa local.

 AFP - <span style="font-size: x-small; color: rgb(136, 135, 127); ">Todos os direitos reservados. Está proibido todo tipo de reprodução sem autorização.</span>
AFP - Todos os direitos reservados. Está proibido todo tipo de reprodução sem autorização.




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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Após acidente com cantor, piloto sofre queda com helicóptero de senador (Postado por Lucas Pinheiro)

 O piloto que se envolveu no acidente de helicóptero com o sertanejo Marrone, que faz dupla com Bruno, em junho, no interior de São Paulo, é investigado em mais caso, que provocou a destruição do helicóptero de um senador em Goiás. Desde que teve a perna decepada no acidente com o cantor, Almir Carlos Bezerra, de 51 anos, sofreu restrições como piloto que o impedem de voar sozinho.

O novo caso ocorreu em 11 de dezembro quando Almir sobrevoava o Aeroclube de Goiânia com um helicóptero Esquilo AS50. A aeronave pertence ao senador Wilder Morais (DEM-GO), que ocupa a vaga do cassado Demóstenes Torres e foi casado com Andressa Mendonça, atual mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Além de Almir, outras três pessoas estavam a bordo. Testemunhas relataram que a aeronave fez várias manobras antes de cair. A destruição foi total. Ninguém ficou ferido.

 Após o acidente com Marrone, Almir fez uma avaliação médica na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e teve o certificado de capacidade física estendido até 6 de junho de 2013, em uma cláusula de flexibilidade. Apesar de ser habilitado para diversos helicópteros, foi considerado apto para pilotar apenas Esquilo e proibido de realizar voos sozinho.

A Anac e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apuram se Alrmir descumpriu a restrição e se, supostamente, poderia estar dando instrução na hora da queda. A Anac informou que abriu um processo administrativo, pois “há indícios de que o helicóptero era pilotado por Almir sem a presença de um copiloto, exigido para operações aéreas em que o piloto apresente restrições para voos solo”.

 O caso pode gerar multas, suspensão ou cassação das licenças, tanto de Almir como do proprietário do helicóptero, disse a Anac.

No acidente com Marrone, a Polícia Civil levantou a hipótese de que Marrone estaria com os comandos na hora da queda e pediu que o sertanejo fosse responsabilizado por comandar o helicóptero sem ter a autorização. Marrone negou, em depoimento, estar comandando o aparelho. Almir corroborrou a versão.

Ao G1, Almir, que teve uma prótese reimplantada na perna, disse que não queria falar sobre o novo acidente. “O Cenipa está investigando, o processo ainda está em análise, não há necessidade de eu me manifestar agora. Sofro vários problemas com a Anac e, se me manifestar em hora errada, posso me complicar ainda mais”, afirmou.

O piloto negou que estivesse proibido de voar sozinho. “Colocaram em meu cheque um médico que me avaliou e ele não me deu nenhuma restrição de voo”.

Esse é o terceiro acidente em que Almir se envolve: além do de Marrone e do senador Wilder Morais, Almir pilotava um Esquilo que caiu na mata de Roraima, em 1998, com o ator Danton Mello. Três ficaram feridos e uma pessoa morreu.

Helicóptero de senador
O advogado de Wilder Morais, Brandão de Souza Passos, informou que o Esquilo que caiu, de matrícula PT-YSW, era da construtora Orca, de propriedade do senador, e que foi apenas emprestada ao piloto. “Almir ligou para o senador e pediu emprestado o helicóptero e ele consentiu, são amigos de longa data. O senhor Wilder não sabia para que o Almir usaria, foi um papo informal. Só falou: ‘pode pegar’”, diz.

 “A aeronave estava no pátio no aeroclube, e o Almir pediu para fazer os treinamentos dele, sem copiloto. O senador não tem nada a ver com o caso”, diz o advogado.

Segundo boletim de ocorrência registrado na 21ª Delegacia de Polícia de Goiânia, no banco do copiloto estava um piloto habilitado somente para voar aeronaves de instrução R22 e R44 e que não podia atuar em um Esquilo. No banco de trás, estava o coronel reformado da PM Jorge Alves Sobrinho, piloto oficial do senador Wilder Morais.


“Como Almir pediu direto ao senador emprestado, só fui junto para acompanhar, porque, se ele mudasse alguma configuração, eu tinha que saber para não ter problemas depois”, disse Sobrinho.

“Foi Almir quem chamou as pessoas que estavam a bordo, tanto o copiloto quanto a mulher que sentou ao meu lado”, afirmou.

Sobrinho, que é piloto há 20 anos e implantou o serviço aéreo da PM de Goiás, lembra ter se sentido impotente diante da queda: “A manutenção estava em dia, não tinha motivo para o acidente. A sensação de não poder fazer nada é péssima. Nunca mais voo como passageiro em um helicóptero”, disse.

 Almir não quis falar ao G1 sobre as causas do acidente ou se ele fazia treinamento ou instrução na aeronave. Disse apenas que “não sabia” que o piloto ao seu lado não podia voar Esquilo e que ainda está analisando com a Anac o caso.

Marrone pagou prótese
A prótese implantada na perna de Alrmir, que permitiu que ele voltasse a voar, foi paga por Marrone, segundo a assessoria do sertanejo. O cantor também matinha o pagamento de um salário até que ele pudesse voltar a trabalhar. A assessoria diz que o piloto não presta mais serviços a Marrone desde que o cantor adquiriu um King Air B-200, ao qual Almir não é habilitado.

A Aeronáutica informou que enviou à Anac uma notificação sobre o caso e que ainda está levantando informações sobre as causas do acidente.

Já o delegado José Luís Chain, que apurou a queda do helicóptero de Marrone em São José do Rio Preto, mostrou-se surpreso com o novo caso envolvendo Almir:  “Mas ele não perdeu uma perna, como pôde continuar pilotando?”. O sertanejo e o piloto não foram indiciados no acidente porque não foi possível comprovar quem estava pilotando no momento da queda.

A apuração do Cenipa, que tem como objetivo mostrar as causas do acidente e se Marrone pilotava ou não, já foi concluída, mas ainda não tem prazo para ser divulgada.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

'Visibilidade era péssima', diz caseiro que viu acidente de helicóptero no Rio (Postado por Lucas Pinheiro)

Abalado e também assustado, o caseiro Júlio César Jesus Pinto, de 40 anos, contou na manhã desta quarta-feira (21) que o acidente com um helicóptero na Grota Funda aconteceu muito rápído. Segundo ele, assim que chegou ao local, a aeronave já estava totalmente destruída. Duas pessoas morreram.

"Ele veio da Barra no sentido Santa Cruz e só ouvi o estrondo. Cheguei lá e estava tudo destruído. Um corpo estava pendurado na árvore e outro caído no chão do lado de fora do helicóptero. Na hora do acidente tinha muita neblina, não dava para ver nada. Até carro tinha que ter cuidado para passar aqui na estrada. A visibilidade era péssima", disse o Júlio, que trabalha em um sítio próximo ao local do acidente.

 Até as 11h, não havia informações sobre a circunstância do acidente nem a identificação das vítimas. No entanto, o G1 entrou em contato com a empresa e, segundo as primeiras informações, as vítimas seriam um instrutor e um aluno.

Por volta das 10h, a aeronave, que pertence à Escola de Aviação Rio 22, foi encontrada totalmente destruída.  No mesmo horário, peritos foram para o local do acidente.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Técnicos avaliam como retirar avião acidentado de Congonhas (Postado por Lucas Pinheiro)

 Representantes da empresa Tropic Air e técnicos da Infraero estudavam como o jatinho que deslizou na pista do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, será retirado do local nesta terça-feira (13). O avião poderá ser cortado para ser retirado.

Desde o acidente, que aconteceu na tarde deste domingo (11), o jato Cessna Citation Cj3 continuava no terreno ao lado da Avenida dos Bandeirantes. A câmera de segurança de uma loja registrou o momento em que o avião derrapou .

Caminhões e um guincho estavam no aeroporto nesta para fazer a retirada. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que, como a aeronave não prejudica a circulação, não há previsão de fazer um bloqueio da Avenida dos Bandeirantes para a retirada do jatinho.

 No choque, o piloto Michael Rumpf Gaail, de 66 anos, sofreu traumatismo craniano, lesão no tórax e coluna lombar no acidente e seguia internado no Hospital Santa Paula nesta terça-feira (13). Ele recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas deve seguir hospitalizado por mais 24h.

Também estavam no avião a esposa do piloto, Elaine Damaceno Rodrigues Gaail, de 37 anos, e o copiloto Rafael Ferreira, de 21 anos. O copiloto e a passageira tiveram ferimentos leves.

Marcos Santana, proprietário da empresa Tropic Air, disse na noite de domingo de que vai aguardar as investigações sobre o acidente com o jatinho para se pronunciar. “Vou esperar a Aeronáutica se pronunciar para depois falar com a imprensa”, declarou.

Aeronave
A empresa proprietária do Cessna Citation Cj3 descreve em seu site que se trata de um avião com "luxuosa cabine". Ele é recebe destaque por ter assentos reclináveis e "finamente revestidos".

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a aeronave estava com a documentação em dia: tanto a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) quanto o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) eram válidos até novembro de 2013. Segundo a Anac, não foi confirmado ainda se a habilitação do piloto estava em dia.

De acordo com a Aeronáutica, uma equipe do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 4) vai investigar o acidente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sobrevivente de queda de avião fala sobre acidente no Litoral de SC (Postado por Lucas Pinheiro)

O único sobrevivente da queda de um monomotor em Balneário Camboriú neste sábado (3) foi Leonel Gheller, de onze anos, filho do empresário Claudir Gheller, 53 anos, que também estava no avião. O menino teve ferimentos leves, mas já recebeu alta do Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú.

"Eu não sei como aconteceu. Uma onda se criou na pedra e bateu na asa esquerda do avião. Dai o avião se virou. Meu pai começou a se desesperar. Ele perguntou pro piloto como abria a porta. Dai eu consegui abrir. Eu pulei e comecei a nadar. Meu pai disse: filho, nade que você vai conseguir, eu fui e quando olhei para trás não vi mais ele", comenta Leonel.

O avião de pequeno porte caiu na praia de Taquarinhas, em Balneário Camboriú, no Litoral de Santa Catarina, por volta das 10h30 deste sábado (3). Duas pessoas morreram no acidente. Uma delas é o médico Julio Cesar Mandelli, de 50 anos. Julio era natural de Caçador e possuía consultório em Balneário Camboriú, onde o corpo foi cremado, numa cerimônia para familiares por volta das 8h deste domingo (4). De acordo com informações do crematório, cerca de 100 pessoas compareceram, e duas filhas do médico e um amigo dele fizeram homenagens.

 O corpo da segunda vítima do acidente, do empresário Claudir Gheller, 53 anos, foi enterrado em Videira, às 15h deste domingo.

"Foram os pescadores que viram o acidente acontecer. De acordo com eles, uma falha mecânica teria causado a queda do avião, por que o motor parou de funcionar por uns instantes, voltou e parou de vez", conta o Tenente do Corpo de Bombeiros Wilson Ribeiro, que atendeu a ocorrência.

Até o fim da tarde deste domingo (4) a aeronave continuava submersa e uma empresa a serviço do Aeroclube de Itapema passou o fim de semana tentando localizá-la. Não há informação exata sobre o local da queda, mas estima-se que o monomotor caiu a uns dez metros do costão da praia de Taquarinhas, em Balneário Camboriú. O avião teria saído do Aeroclube de Itapema para um passeio, mas caiu minutos depois.

Segundo o Aeroclube de Itapema, o piloto era habilitado e a aeronave, até então, não tinha apresentado defeitos mecânicos. Por telefone a assessoria de imprensa da ANAC explicou que aguarda o relatório preliminar feito pelo Seripa - o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Este relatório deve conter as informações coletadas no local do acidente e informadas no plano de voo da aeronave. O caso será investigado pela ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil com o apoio da Capitania dos Portos de Itajaí.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Corpo de piloto é achado em praia da Bahia após sumiço de aeronave (Postado por Lucas Pinheiro)

Foi encontrado na manhã desta quarta-feira (26) o corpo do piloto da aeronave que desapareceu no sul da Bahia, na noite de segunda-feira (24), ao decolar em direção a Brasília, Distrito Federal, informou a Aeronáutica. Segundo a Infraero, o homem, que vestia uniforme de piloto e estava com a documentação, foi achado a 17 Km da praia, ao norte de Ilhéus, próximo ao condomínio Joia do Atlântico, por volta das 7h. Foram encontrados ainda destroços da aeronave, um pedaço da urna funerária onde era transportada uma mulher morta, documentos de navegação do bimotor e uma bolsa.

 Equipes da Infraero e da Capitania dos Portos se deslocaram para a região onde os destroços foram achados. Homens do Corpo de Bombeiros estão na praia desde a madrugada, quando foram acionados por pescadores locais.

"Recebemos uma ligação por volta das 00h30 de uma pessoa que se identificou como pescador dizendo que havia achado partes da aeronave. Deslocamos uma equipe para lá e verificamos que era verdade. Aguardamos agora a chegada da polícia e do DPT", diz sargento Edileusa, que estava no plantão dos Bombeiros no momento do telefonema.

 Buscas
As buscas pela aeronave foram retomadas no início da manhã desta quarta-feira (26), informou a Infraero. De acordo com o órgão, a Marinha também está na região e já acionou uma equipe de mergulhadores para auxiliar nas buscas.

Na terça-feira (25), um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB), duas lanchas da Marinha e o Corpo de Bombeiros procuraram em terra e mar o bimotor Sêneca EMB-810, que transportava o corpo de uma mulher de 61 anos, que morreu afogada na Bahia no sábado (22), além do piloto e o marido da vítima, de 58 anos.

A Aeronáutica afirmou que o helicóptero da FAB percorreu área de 312 km², a pelo menos 20 km da costa. O Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, ficou fechado das 15h45 às 17h30 de terça-feira, devido à ação da Força Aérea Brasileira (FAB) dentro da unidade.

“Os aviões da FAB precisam fazer o procedimento livre de qualquer operação de outros aviões. Nesse período teríamos dois voos, que foram cancelados. As empresas fizeram a remarcação e acomodaram em hotéis as pessoas que viajariam nesses voos", informou o superintendente da Infraero do município, João Bosco Bezerra.

O bimotor saiu de Ilhéus às 22h15 de segunda-feira. A viagem até Brasília deveria durar 3h20, mas, sete minutos depois da decolagem, a torre de controle perdeu contato com o piloto. O pintor Luiz Oliveira observou a partida do avião. "Um jatinho... e logo depois, dez minutos, quando eu vi a sirene do aeroporto tocando bem alta", disse.

A aeronave, de prefixo PT-RDG, estava com documentação em dia, segundo registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ela tinha capacidade para cinco passageiros e peso máximo de decolagem de 2.073 quilos.

Velório suspenso
A família que aguardava a chegada do corpo que estava no avião que desapareceu suspendeu o velório que estava marcado para a manhã de terça-feira, em Brasília. “Estava saindo para o velório quando a irmã da falecida me ligou avisando que o avião com o corpo não chegou e estava desaparecido”, disse ao G1 Ivone Cardoso, amiga da família.

Segundo ela, a mulher que morreu afogada viajava com o marido, a sogra e mais um casal de parentes. Ela se afogou ao cair em um buraco em uma praia do sul da Bahia no sábado. Os parentes retornaram a Brasília no domingo e o marido permaneceu na Bahia esperando a liberação do corpo, que ocorreu na segunda. Ele então alugou a aeronave para fazer o traslado.

 Ivone Cardoso afirma que a família não tem muitas informações sobre o desaparecimento do bimotor. “A última notícia que a família teve foi por meio de uma ligação do marido, dizendo que estava embarcando. A família estava esperando no aeroporto e ninguém chegou. Foi aí que a Infraero falou que o jatinho não havia chegado”.

O superintendente da Infraero em Ilhéus disse que o contato com o piloto foi perdido logo após o início do voo. "Logo depois da decolagem, que ocorreu por volta das 23h, não obtivemos mais contato com o piloto, chamamos e ele não retornou. Depois constatamos que a aeronave não chegou ao seu destino e acionamos os órgãos de salvamento".

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Monomotor que caiu em Goiás e matou 4 não tem registro, diz Anac (Postado por Lucas Pinheiro)



O avião monomotor que caiu em Acreúna, no sudoeste de Goiás, e matou quatro pessoas, na tarde de domingo (9), não tem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Anac, na manhã desta segunda-feira (10), e confirmou a informação inicialmente dada pelo major Misshel Faria, comandante do Corpo de Bombeiros de Santa Helena, que atendeu à ocorrência. “O prefixo N1009F, que está na aeronave, não existe. Como o avião veio dos Estados Unidos, provavelmente não está homologado para voar no Brasil”, explicou.

No acidente, que ocorreu logo após a decolagem, por volta das 17h30, morreram as irmãs Francielle Alves Freitas, 19 anos, e Andressa Alves Freitas, de 14 anos, a bancária Nívia Maria Gomes Barros, 24 anos, e o piloto Gary Paulo Costa e Silva, de 42 anos. Segundo testemunhas, ele vendia voos panorâmicos na cidade, pelos quais cobrava R$ 50.

Ao chegar ao local do acidente, no pasto de uma fazenda próxima à GO-513, que liga Acreúna ao distrito de Arantina, o major Faria disse que a maior preocupação foi evitar explosões. “Havia a ameaça de incêndio porque vazou muito combustível da aeronave. Para complicar, o tempo está seco e a pastagem, totalmente propícia à propagação das chamas. Então, jogamos água”, lembra.

Todas as vítimas foram retiradas do avião, sem dificuldades, enquanto a equipe do Corpo de Bombeiros aguardava a chegada do Instituto Médico Legal (IML) de Rio Verde. “Tentamos preservar ao máximo o local, sem modificar nada. Mas precisávamos retirar os corpos, pois o risco de explosão era grande”, argumentou o major Faria. A retirada dos corpos pelo IML aconteceu às 22h.

Segundo ele, não é possível falar em possíveis causas para o acidente. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi avisado logo após o acidente e deve analisar o caso, informou.

Próximo da fila
O gerente financeiro Abias Garcia Gomes, de 31 anos, estava no local do acidente e seria o próximo a fazer o voo panorâmico. Ele foi convidado para o passeio pelos amigos, a bancária Nívia, que morreu na queda da aeronave, e pelo namorado dela, Renato Alves Feitosa, de 28 anos. “Eu estava em casa quando eles me ligaram para voar. Encontrei com eles por volta das 16h e entrei na fila. Faltava uma pessoa para completar o voo e a Nívia foi. Eu seria o próximo a voar”, recorda-se.

De acordo com Abias, o piloto do monomotor, Gary Paulo Costa e Silva, era amigo da família de Renato: “Eles se conheciam há muito tempo. Eram amigos”. A queda do monomotor, calcula, aconteceu menos de um minuto após a decolagem.

“O avião fez uma conversão à esquerda, pois iria voltar em direção à cidade, mas não voltou. Ele sumiu no meio do mato. Ouvimos um barulho, não muito alto, mas, como ele desceu e não subiu, fomos todos atrás. Chegamos no local da queda menos de trinta segundos depois”, descreveu.

Piloto experiente
Em entrevista ao G1, o pai do piloto Gary Paulo, Aniceto de Oliveira, confirmou que o filho comprou o monomotor nos Estados Unidos e o trouxe para o Brasil. “Ele mesmo veio pilotando”, revela. Também piloto, o pai de Gary afirmou que o filho tinha mais de 10 anos de experiência e 2 mil horas de voo. Garantiu ainda que o avião era muito seguro e equipado.

Segundo Aniceto, Gary morava em Pontalina, no sul do estado, e foi para Acreúna fazer os passeios panorâmicos por causa do movimento da 14ª Exposição Agropecuária da cidade (Expoacre), que terminou no domingo (9). "Ele tem uns amigos aqui que o convidaram para fazer os voos", explicou

Aniversário
Pai de Francielle e Andressa, o gerente de fazenda Salomão Batista Freitas, 39 anos, levou as filhas para o passeio e assistiu à queda da aeronave. Enquanto esperava a remoção dos corpos, ele conversou com o G1 e lamentou: "Meus ourinhos estão alí".

Salomão conta que pagou R$ 50 para cada uma filha fazer o voo panorâmico, que seria de 5 minutos. As jovens, lembra, estavam muito animadas, principalmente Francielle, que era casada com Rogério Martins da Costa e deixou uma filha de 5 meses de idade.

Andressa, que completou 14 anos no sábado (8), insistiu para ir junto com a irmã, segundo o pai. Salomão disse que chegou a ponderar com a filha, que ela poderia enjoar, mas a adolescente brincou: "Se eu enjoar, vomito em cima da minha irmã".

Ainda no local do acidente, Salomão não se conteve ao ver os corpos das filhas sendo levados pelo IML e chorou. “Não me importo se há risco em ficar aqui. Se for pra morrer junto com elas, não tem problema”, desabafou, ao ser alertado pelo Corpo de Bombeiros sobre a possibilidade de haver algum tipo de explosão no local.